Na crónica publicada hoje no Diário Económico, Vitor Bento chama a atenção para a existência de "uma curiosa dissonância na percepção" interna e externa sobre o grau de sucesso do programa de ajustamento porque passa a economia portuguesa.
Uma diferença de percepções a que "não será certamente alheio o diferenciado esforço de comunicação por parte do Governo, muito mais dirigido - em tempo e recursos - à frente externa, e principalmente aos «mercados» e instâncias supranacionais, do que à frente interna", mas que na sua opinião também resulta do que identifica como factores de idiossincrasia cultural e "em particular da atávica tendência de procurar «fora de nós» a origem e solução para as agruras que «'nos caem do céu»" geradora de fenómenos de "escapismo" de que a "actual mantra da «renegociação dos juros»" seria emanação".
Independentemente da avaliação do grau de sucesso de um processo de ajustamento em que, apesar de progressos significativos em algumas dimensões, para além de um aumento do desemprego muito superior ao esperado houve já necessidade de rever de forma significativa as metas, eventualmente demasiado exigentes, para a evolução do défice e dívida pública, parece-me que não é possível separar as duas vertentes acima enunciadas e considero que o claro crescimento dessa tendência escapista não pode ser dissociado da incapacidade do Governo, e dos partidos que o apoiam, em apresentar e explicar aos portugueses, com clareza e sem rodear as dificuldades e desafios, a situação em que Portugal se encontra e a estratégia para recuperar a sustentabilidade económica e financeira.
Seja como for, como refere o autor, a verdade é que "esta dissonância dificilmente se poderá manter por muito tempo, não sendo claro qual das duas formas acabará por absorver outra".
Por isso, espero que o Governo tenha a visão e capacidade para seguir a recomendação de dar "mais atenção à frente interna" e que ainda vá a tempo de "recuperar o país", sob pena de comprometer irremediavelmente a frente externa.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Boletim Económico do Banco de Portugal - outono 2012
O boletim económico do Banco de Portugal aponta para uma redução do PIB em 2012 de 1,6%. Uma previsão significativamente abaixo (-0,6 p.p.) do que a recentemente apresentada pelo Governo no Relatório do orçamento do Estado para 2013.
Comparando as duas previsões, o Banco de Portugal é mais pessimista relativamente à evolução do consumo privado (-3,6% face a -2,2% na previsão do governo) e da formação bruta de capital fixo (-10,0% face a -4,2% na previsão do governo), enquanto que, por outro lado, prevê uma evolução mais favorável do consumo público (-2,4% face a -3,5% na previsão do governo), exportações (+5,0% face a 3,6% na previsão do governo) e importações (-2,3% face a -1,4% na previsão do governo).
Note-se que apesar de significativamente mais pessimista a previsão do Banco de Portugal para o consumo privado assume, ainda assim, uma evolução menos negativa do que a esperada para o rendimento disponível e pressupõe uma ligeira redução da taxa de poupança dos particulares, alertando no entanto para que "o aumento do número de agentes sujeitos a restrições de liquidez, num quadro de redução do rendimento disponível e de agravamento das condições no mercado de trabalho, bem como de incerteza quanto ao enquadramento interno e externo" poderá limitar de forma mais acentuada a capacidade das famílias para "alisar o consumo" e "incentivar a poupança por motivos de precaução", pelo que, consequentemente, "o consumo privado poderá apresentar uma redução mais acentuada do que a considerada no cenário central".
Enquanto que, por outro lado, a previsão mais otimista para o crescimento das exportações baseia-se em expetativas de ganhos significativos de quota de mercado (o Banco de Portugal considera um crescimento da procura externa de 2,5% que compara com a previsão do governo de 2,8%), chamando no entanto a atenção para os riscos de uma evolução económica internacional mais desfavorável, em particular na zona euro, "com potencial impacto nas exportações portuguesas", bem como para "a possibilidade de menor persistência ou de não materialização dos ganhos de quota assumidos".
No que se refere ao emprego, as previsões são similares com o Banco de Portugal a prever uma redução do emprego de 1,8% em 2013 (face a uma previsão do governo de -1,7%).
Comparando as duas previsões, o Banco de Portugal é mais pessimista relativamente à evolução do consumo privado (-3,6% face a -2,2% na previsão do governo) e da formação bruta de capital fixo (-10,0% face a -4,2% na previsão do governo), enquanto que, por outro lado, prevê uma evolução mais favorável do consumo público (-2,4% face a -3,5% na previsão do governo), exportações (+5,0% face a 3,6% na previsão do governo) e importações (-2,3% face a -1,4% na previsão do governo).
Note-se que apesar de significativamente mais pessimista a previsão do Banco de Portugal para o consumo privado assume, ainda assim, uma evolução menos negativa do que a esperada para o rendimento disponível e pressupõe uma ligeira redução da taxa de poupança dos particulares, alertando no entanto para que "o aumento do número de agentes sujeitos a restrições de liquidez, num quadro de redução do rendimento disponível e de agravamento das condições no mercado de trabalho, bem como de incerteza quanto ao enquadramento interno e externo" poderá limitar de forma mais acentuada a capacidade das famílias para "alisar o consumo" e "incentivar a poupança por motivos de precaução", pelo que, consequentemente, "o consumo privado poderá apresentar uma redução mais acentuada do que a considerada no cenário central".
Enquanto que, por outro lado, a previsão mais otimista para o crescimento das exportações baseia-se em expetativas de ganhos significativos de quota de mercado (o Banco de Portugal considera um crescimento da procura externa de 2,5% que compara com a previsão do governo de 2,8%), chamando no entanto a atenção para os riscos de uma evolução económica internacional mais desfavorável, em particular na zona euro, "com potencial impacto nas exportações portuguesas", bem como para "a possibilidade de menor persistência ou de não materialização dos ganhos de quota assumidos".
No que se refere ao emprego, as previsões são similares com o Banco de Portugal a prever uma redução do emprego de 1,8% em 2013 (face a uma previsão do governo de -1,7%).
Barometro Aximage - novembro 2012
PS: 32.1% (-1.6)
PSD: 26.3% (+1.4)
CDU: 9.6% (+0.1)
CDS: 7.9% (=)
BE: 7.5% (+0.5)
Esta sondagem indica uma ligeira recuperação do PSD, que se mantém, contudo, não só muito abaixo dos valores obtidos até setembro, e a quebra do PS (que curiosamente também já havia descido em outubro) o que conduziu a uma redução de 3 pontos percentuais da diferença entre estes dois partidos.
De referir ainda os índices francamente negativos de popularidade quer do primeiro-ministro e do governo e, em especial, a descida da avaliação que os portugueses fazem do ministro das finanças.
domingo, 11 de novembro de 2012
As declarações de Isabel Jonet
Tive, finalmente, oportunidade de ouvir o excerto das famosas declarações da Isabel Jonet e confesso que, independtemente de um discurso um pouco desconexo e até contraditório, nomeadamente no que se refere à natureza conjuntural ou estrutural do desemprego, não vislumbrei nada que justificasse a polémica e muito menos indiganção. Mesmo a afirmação de que "não temos miséria em Portugal" deve ser entendida no contexto em que foi produzida de comparação com a situação muitissimo mais grave que se verifica na Grécia.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Estatísticas do comércio internacional - setembro 2012
As estatísticas do comércio internacional relativas ao período até setembro parecem confirmar a tendência para um significativo abrandamento das exportações que já era apontada por outros indicadores, nomeadamente a evolução das vendas e das encomendas para o mercado externo e a evolução dos saldos de opiniões na industria relativamente à evolução das encomendas externas. Este abrandamento que contudo terá sido agravado por fatores conjunturais específicos como a greve dos portos, pelo que estes números tenderão a exagerar o efeito da deterioração das condições económicas nos mercados de exportação.
Com efeito, de acordo com os dados hoje divulgados pelo INE, em setembro as saídas globais recuaram 6,5% face ao mês de setembro de 2011. Para esta descida contribuiu quer uma redução de 8,3% das transmissões intracomunitárias quer uma redução de 1,5% das exportações. Não obstante este resultado mensal, no conjunto do terceiro trimeste ter-se-á verificado um aumento das exportações e transmissões intracomunitárias face ao terceiro trimestre de 2011 de cerca de 4,5% (no segundo trimestre a taxa de crescimento homologa terá sido de 7,2%).
Ainda em termos mensais, analisando a evolução das exportações por países destacam-se as quebras acentuadas nas taxas de variação homologa das exportações com destino à Espanha (-8,2% face a -2,0% no mês anterior), Alemanha (-13,5% face a -5,7% no mês anterior), França (-8,2% face a +7,7% no mês anteriro) e Reino Unido (-12,0% face a um aumento de 13,1% no mês anterior), enquanto que no caso de Itália se verificou um crescimento de 9,2% (47,0% no mês anterior). Já a queda das saídas extracomunitárias ficou a dever-se a uma redução das exportações para Àfrica (-2,9%) e América (-7,6%), enqaunto que as exportações para a Àsia registaram um crescimento de 16,1%.
Por seu lado, as entradas registaram um decréscimo de 8,4% no mês de setembro face ao mês homologo face ao mês (em agosto verificou-se um crescimento de 2,9%) e de 4,2% no terceiro trimestre de 2012 face ao mesmo trimestre de 2011 (no segundo trimestre a taxa de variação homologa foi de 4,2%. Pelo que, no conjunto do trimestre, se verificou uma redução do défice comercial face ao ano anterior de 1076,8 milhões de euros e um aumento da taxa de cobertura de 73,7% para 80,4%.
Note-se, ainda, que excluindo o efeito das entradas e saídas de combustíveis e lubrificantes as exportações e transmissões intracomunitárias registam taxas de variação homologas mensais e trimestrais de -5,9% (+9,0% no mês anterior) e de 2,7% (5,6% no trimestre anterior), respetivamente, enquanto que as importações e aquisições intracomunitárias apresnetam variações mensais e trimestrais de -12,2% (-3,6% no mês anterior) e de -7,8% (-9,8% no trimestre anterior).
Com efeito, de acordo com os dados hoje divulgados pelo INE, em setembro as saídas globais recuaram 6,5% face ao mês de setembro de 2011. Para esta descida contribuiu quer uma redução de 8,3% das transmissões intracomunitárias quer uma redução de 1,5% das exportações. Não obstante este resultado mensal, no conjunto do terceiro trimeste ter-se-á verificado um aumento das exportações e transmissões intracomunitárias face ao terceiro trimestre de 2011 de cerca de 4,5% (no segundo trimestre a taxa de crescimento homologa terá sido de 7,2%).
Ainda em termos mensais, analisando a evolução das exportações por países destacam-se as quebras acentuadas nas taxas de variação homologa das exportações com destino à Espanha (-8,2% face a -2,0% no mês anterior), Alemanha (-13,5% face a -5,7% no mês anterior), França (-8,2% face a +7,7% no mês anteriro) e Reino Unido (-12,0% face a um aumento de 13,1% no mês anterior), enquanto que no caso de Itália se verificou um crescimento de 9,2% (47,0% no mês anterior). Já a queda das saídas extracomunitárias ficou a dever-se a uma redução das exportações para Àfrica (-2,9%) e América (-7,6%), enqaunto que as exportações para a Àsia registaram um crescimento de 16,1%.
Por seu lado, as entradas registaram um decréscimo de 8,4% no mês de setembro face ao mês homologo face ao mês (em agosto verificou-se um crescimento de 2,9%) e de 4,2% no terceiro trimestre de 2012 face ao mesmo trimestre de 2011 (no segundo trimestre a taxa de variação homologa foi de 4,2%. Pelo que, no conjunto do trimestre, se verificou uma redução do défice comercial face ao ano anterior de 1076,8 milhões de euros e um aumento da taxa de cobertura de 73,7% para 80,4%.
Note-se, ainda, que excluindo o efeito das entradas e saídas de combustíveis e lubrificantes as exportações e transmissões intracomunitárias registam taxas de variação homologas mensais e trimestrais de -5,9% (+9,0% no mês anterior) e de 2,7% (5,6% no trimestre anterior), respetivamente, enquanto que as importações e aquisições intracomunitárias apresnetam variações mensais e trimestrais de -12,2% (-3,6% no mês anterior) e de -7,8% (-9,8% no trimestre anterior).
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Ler os Outros: Francisco Assis
"(...) Um venerando juiz, Presidente da Associação que supostamente representa a corporação respectiva, produziu, com a transparência que o despudor permite, uma das mais extraordinárias afirmações dos últimos tempos: os juízes dete país, abaixo de uma certa remuneração, felizmente não publicamente quantificada, tornam-se permeáveis à corrupção. No entendimento deste senhor, a integridade moral e profissional dos nossos juízes depende do montante do salário que auferem. Numa sociedade sã esta declaração seria intolerável. Aqui parece não ser. (...)"
"O ministro das Finanças teve razão ao condenar alguma da linguagem que se utiliza hhoje na Assembleia da República. Há quem pense que está a atacar o Governo quando, na verdade, está a pôr em causa os fundamentos da nossa democracia."
(Dois excertos da crónica de hoje no Público)
"O ministro das Finanças teve razão ao condenar alguma da linguagem que se utiliza hhoje na Assembleia da República. Há quem pense que está a atacar o Governo quando, na verdade, está a pôr em causa os fundamentos da nossa democracia."
(Dois excertos da crónica de hoje no Público)
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
As previsões de outono da Comissão Europeia
Nas suas previsões de Outono, a Comissão Europeia reviu significativamente em baixa as suas previsões para o crescimento económico em 2012 e em 2013. Com efeito, prevê-se agora que o PIB do conjunto da União Europeia caia 0,3% em 2012 (menos 0,3 p.p. do que nas previsões de Primavera) e que registe um crescimento de apenas 0,4% em 2013 (menos 0,9 p.p. do que nas previsões de Primavera).
De acordo com a Comissão Europeia, em 2013, o consumo privado e o investimento deverão permanecer aos níveis de 2012 (depois de reduções, em 2012, de 0,6 e 2,2%, respetivamente), enquanto que o consumo público se deverá contrair em 0,4%, assentando a previsão de crescimento nas expetativas de evolução das exportações que a Comissão projeta que aumentem 3,4% enqaunto que as importações deverão aumentar apenas 2,4%, daqui resultando um contributo das exportações líquidas para o crescimento equivalente a 0,5 p.p.
Para a zona euro, as previsões da Comissão são de um decréscimo do produto de 0,4% em 2012 e de um crescimento de somente 0,1% em 2013.
Neste contexto, a Comissão Europeia projeta que a taxa de desemprego se situe nos 10,5%, em 2012, e aumente para 10,9% em 2013, (11,8% e 11,7% para a zona euro) enquanto que a taxa inflação se deverá situar em 2,0%, em 2012, e 1,8%, em 2013 (1,8% e 1,6%, para a zona euro).
Por Estados-Membros a Comissão Europeia prevê que o PIB diminua em seis países da zona euro (Grécia: -4,2%, Chipre: -1,7%, Eslovénia: -1,6%, Espanha: -1,4%, Portugal: -1,0% e Itália: -0,5%), enquanto que a Alemanha deverá crescer 0,8%, a França 0,4% e o Reino Unido 0,9%.
De acordo com a Comissão Europeia, em 2013, o consumo privado e o investimento deverão permanecer aos níveis de 2012 (depois de reduções, em 2012, de 0,6 e 2,2%, respetivamente), enquanto que o consumo público se deverá contrair em 0,4%, assentando a previsão de crescimento nas expetativas de evolução das exportações que a Comissão projeta que aumentem 3,4% enqaunto que as importações deverão aumentar apenas 2,4%, daqui resultando um contributo das exportações líquidas para o crescimento equivalente a 0,5 p.p.
Para a zona euro, as previsões da Comissão são de um decréscimo do produto de 0,4% em 2012 e de um crescimento de somente 0,1% em 2013.
Neste contexto, a Comissão Europeia projeta que a taxa de desemprego se situe nos 10,5%, em 2012, e aumente para 10,9% em 2013, (11,8% e 11,7% para a zona euro) enquanto que a taxa inflação se deverá situar em 2,0%, em 2012, e 1,8%, em 2013 (1,8% e 1,6%, para a zona euro).
Por Estados-Membros a Comissão Europeia prevê que o PIB diminua em seis países da zona euro (Grécia: -4,2%, Chipre: -1,7%, Eslovénia: -1,6%, Espanha: -1,4%, Portugal: -1,0% e Itália: -0,5%), enquanto que a Alemanha deverá crescer 0,8%, a França 0,4% e o Reino Unido 0,9%.
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