quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Indicadores de confiança - novembro de 2012

Os resultados dos inquéritos de confiança relativos ao mês de novembro hoje diivulgados pelo INE indicam uma recuperação generalizada, embora muito ligeira, dos indices de confiança, ajustados de fatores sazonais; face aos valores registados no mês anterior, sendo, no entanto, de assinalar que estes se mantém em valores significativamente inferiores aos verificados nos meses de junho a agosto.

Assim, a confiança dos consumidores, da construção e serviços recuperaram dos mínimos históricos registados em outubro, aumentando de -61,1 para -59,8, de -74,1 para -70,6 e de -38,5 para -35,3 respetivamente.

No mesmo sentido, no comércio a retalho verificou-se ligeira redução nos níveis de pessimismo, registando-se uma subida do indicador de confiança de -25,8 para -24,1.

Enquanto que, finalmente, o indicador de confiança da indústria registou igualmente uma ligeira subida de -23,2 para -22,9 pontos, assinalando-se uma pequena recuperação da componente relativa à evolução da procura externa (que subiu de -37,2 para -36,1).




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Problema Económico Português (Parte I) - Os elevados níveis de endividamento

Do ponto de vista económico, a economia portuguesa apresenta três grandes problemas que irão condicionar e limitar o crescimento económico nas próximas décadas e a colocam numa situação muito complicada: i) elevados níveis de endividamento quer do setor público quer do setor privado; ii) reduzidos níveis de poupança e investimento; e iii) baixo nível de produtividade.

Uma das caraterísticas da economica portuguesa agora é o elevado nível de endividamento quer do setor privado quer do sector privado. Com efeito, a dívida pública portuguesa deverá atingir 119,1% do PIB no final do corrente ano, valor que apenas será superado pela Grécia (176,7%) e a Itália (126,5%) e que se situa 26,2 pontos percentuais acima da média dos países da zona euro (92,9%). Sendo ainda de assinalar que em 2000 a dívida pública portuguesa correspondia a cerca de 50,7% do PIB situando-se claramente abaixo da média da União Europeia (61,9%) e dos 17 países que atualmente integram a zona euro (69,2%). Desde 2000, o peso da dívida pública em Portugal aumentou 68,4 p.p., valor apenas superado pela Grécia (+82,5 pp) e pela Irlanda (+72,3 pp).

Considerando a totalidade da dívida bruta do setor público não financeiro (incluindo portanto as empresas públicas do setor não financeiro que não integram o perímetro das adminitrações púiblicas) o nível de endividamento ascendia no final do primeiro semestre de 2012 a 148,2% do PIB (249 mil milhões de euros) o que representa um aumento de 60,4 p.p. face aos valores de finais de 2007 (e de 12,4 p.p. face a junho de 2011).

Para além da necessidade imperiosa de travar e inverter a evolução do nível de endividamento do setor público, sob pena de muito rapidamente este atingir níveis claramente insustentáveis, estes níveis de endividamento traduzem-se em pesados encargos com os juros e o serviço da dívida que irão onerar as contas públicas nas próximas décadas, exigindo uma carga fiscal mais elevada e/ou uma maior contenção da despesa pública primária.

Mas, infelizmente, não é apenas o setor público que se encontra numa situação de elevado endividamento. No final do primeiro semestre de 2012, o endividamento das famílias e das empresas privadas não financeiras correspondia a 101,2% do PIB e 182,3% do PIB, respetivamente. E se no caso das famílias esse endividamento aumentou apenas 2,7 pp desde 2007 e registou mesmo um decréscimo de 1,2 p.p. no último ano, no que se refere às empresas verifica-se um aumento de 21,9 pp desde 2007 e de 3,0 pp no último ano. O que aponta para que o processo de "desalavancagem" do setor privado não financeiro deverá constituir um importante contrangimento à evolução do investimento privado nos próximos anos.

Finalmente, estes níveis de endividamento do setor não financeiro traduzem uma forte dependencia do financiamento externo o qual se expressa num nível de endividamento bruto face ao exterior que corresponde a cerca de 229% do PIB (+31,8 pp do que no final de 2007 e 10,1 pp do que no final do primeiro semestre de 2011) e numa posição líquida face ao exterior de -108,6% do PIB (uma deterioração de 19,7 pp face ao final de 2007 e de 3,4 pp relativamente ao primeiro semestre de 2011). Níveis muito elevados em termos comparativos internacionais e que se refletem num défice significativo da balança de rendimentos face ao exterior que reduz o financiamento disponível para o investimento em Portugal.

PS: Por coincidência o Eurostat publica hoje um conjunto de indicadores para apoiar a deteção de desequilibrios macroeconomicos que incluem, nomeadamente, a evolução da posição externa líquida (quadro 2)  - em que, com referência ao final de 2011, Portugal surge no segundo lugar (-105,0% do PIB) a seguir à Hungria (-105,9% do PIB) - e o peso do endividamento do setor privado (quadro 8) - em que, com referência a 2011, Portugal surge no quarto lugar (249,4% do PIB), a seguir ao Luxemburgo (326,3%), Irlanda (309,5%) e Chipre (287,5%) .

terça-feira, 27 de novembro de 2012

World Economic Outlook - novembro 2012

De acordo com as projeções da OCDE para Portugal o PIB português deverá registar um recuo de 1,8% em 2012, com a procura interna a registar uma contração de 4,2%, parcilamente compensada por um comportamento positivo das exportações - que a OCDE prevê que aumentem 3,6% - e das importações - que deverão registar uma redução de 2,8%, enquanto que a taxa de desemprego deverá aumentar para 16,9%.

As projeções desta instituição relativamente ao défice das administrações públicas em 2012 que a OCDE prevêm que este se situe nos 4,9% do PIB ou seja 0,4 pontos percentuais acima do objetivo de 4,5%.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Onde (e como) poupar 4 mil milhões de euros ?

As contas são bastante simples de fazer. De acordo com as previsões do programa de ajustamento, excluindo medidas extraordinárias e medidas, o défice das administrações públicas que em 2012 se siutuará próximo dos 6,3% do PIB (que corresponde a cerca de 10,5 mil milhões de euros) devevrá reduzir-se para 4,5% do PIB em 2013 (cerca de 7,5 mil milhões de euros), o que significa que para atingir o objetivo de um défice de 2,5% do PIB em 2014 (4,3 mil milhões de euros) será necessária uma redução adicional do défice de 3,2 mil milhões de euros. Um vez que de acordo com as previsões os encargos com juros deverão aumentar de 4,7% do PIB em 2013 (7,8 mil milhões de euros) para 5,0% do PIB em 2014 (8,5 mil milhões de euros), tal significa que, mantendo-se as receitas nominais mais ou menos constantes, para alcançar o objetivo do défice em 2014 é necessária uma redução da despesa primária (isto é, antes de juros) de, pelo menos, 3,9 mil milhões de euros. A grande questão é onde e como "distribuir os sacrificios".

Refira-se ainda que o cenário do programa de ajustamento (ver página 44) prevê que o objetivo do défice para 2012 seja atingido através de  um aumento da receita de cerca de 1,1 mil milhões de euros (+1,4%) e de uma redução da despesa primária de cerca de 2,5 mil milhões de euros dos quais 310 milhões de euros (-2,5%) em despesas com pessoal, 340 milhões de euros (-6,0%) em consumos intermédios, 340 milhões de euros em prestações sociais (-0,9%), 300 milhões de euros em subsídios (-19,6%), 770 milhões de euros em outras despesas correntes (-19,1%) e 410 milhões em despesas de capital (-9,1%).



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Execução Orçamental - novembro 2012

A síntese de execução orçamental hoje divulgada pela DGO, relativa à execução orçamental no período janeiro a outubro de 2012, indica um crescimento homólogo da despesa efetiva da administração central e da segurança social de 0,7%, enquanto que a despesa primária (i.e., excluindo os juros e outros encargos da dívida pública) regista um recuo de 0,8%.

Para este resultado contribuiu sobretudo a evolução das despesas com pessoal (-13,7%) e das transferências de capital (-24,8%), já que se verificou um aumento de 13,2% na despesa com bens e serviços e outras despesas correntes (no entanto, excluindo a regularização de dívidas do SNS ter-se-ia uma redução de 4,4%), dos encargos com juros (+13,8%) e das transferências correntes (+3%). No subsetor da segurança social continua a destacar-se o aumento significativo (+23,4%) das despesas com o subsídio de desemprego.

A receita fiscal apresenta uma variação de -4,6% (que corresponde a um decréscimo de 1.250,9 milhões de euros), com os impostos diretos a registarem uma redução de -3,7% - em resultado da queda acentuada da receita do IRC (-19,9%) - enquanto que nos impostos indiretos se verifica uma queda das receitas de 5,2%, que reflete sibretudo o comportamento do imposto sobre veículos (-43,6%), do IVA (-2,0%) e do ISP (-8,0%). Com apenas dois meses até ao final do ano a taxa de execução da receita fiscal é de apenas 74,3% quando no ano anterior essa taxa se situava nos 79,6%.

A receita das contribuições para a segurança social regista uma variação homologa de -4,8% (que corresponde a um decréscimo da receita de 542,5 milhões de euros).

Em termos de saldo global da administração central e segurança social, considerando um perímetro comparável, temos até outubro uma redução do défice acumulado de 421 milhões de euros.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Resultado do leilão de bilhetes do Tesouro

O IGCP colocou hoje mais 2.000 milhões de euros de bilhetes de tesouros. Dos quais 1.200 milhões de euros correspondem a bilhetes de tesouro com vencimento em maio de 2014 colocados a uma taxa média ponderada de 2,99%, que é quase idêntica à taxa de 2,967% registada no leilão do passado dia 19 de setembro para uma operação de prazo idêntico.

Note-se, no entanto, que apesar de se tratar de um bom resultado, principalmente atendendo ao fato de que as yields dos títulos de tesouro com prazo a 2 anos se encontram acima dos 4,5%, a procura, para estes prazos, neste leilão (2.293 milhões de euros) foi significativamente inferior à registada no leilão de 19 de setembro (3.093 milhões de euros).

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sexto exame regular do Programa de Ajustamento

Numa avaliação positiva e em que o Governo e as instituições internacionais, embora salientando os riscos, reafirmaram as suas previsões para a evolução do cenário macroeconómico e a evolução das contas públicas, assegurando, nomeadamente, o cumprimento da meta de 5% para o défice, o aspecto mais saliente terá sido o anúncio de  uma refroma glovbal da tributação sob rendimento das empresas (ou seja do IRC) para promover o investimento e a competitividade, salientando-se, contudo, na declaração conjunta do FMI, da União Europeia e do FMI que essa reforma terá de ser compatível com as regras comunitárias.

De referir ainda a referência à necessidade de medidas que facilitem o acesso das PME a financiamento, bem como a reafirmação da disponibilidade dos nossos parceiros da zona euro para apoiarem Portugal até que seja possível o regresso total aos mercados, salientando-se, no entanto, que esse apoio é condicional a um cumprimento estrito do programa de ajustamento.