De acordo com os dados hoje divulgados pelo INE, no mês de abril as exportações e transmissões intracomunitárias registaram um aumento de 17,3% face ao mesmo mês de 2012 (11,5% excluindo os combustíveis e lubrificantes) enquanto que as importações e aquisições aumentaram 9,2% (8,9% excluindo os combustíveis e lubrificantes).
O INE alerta no entanto para que a evolução destas variáveis "refletiu em parte um efeito de calendário pois, em 2013, a Páscoa celebrou-se em março e não em abril como aconteceu em 2012" e que obriga a ter um particular cuidado na análise da evolução da´informação económica relativa aos meses de março abril, cabendo a este propósito referir que nos últimos três meses (Fev. a Abr.) as saídas de bens registaram uma tvh de +3,1% (-0,4% sem combustíveis e lubrificantes), enquanto que as entradas de bens registam uma tvh de +2,7% (-2,4% sem combustíveis e lubrificantes).
Entretanto, os dados relativos ao total das novas encomendas na indústria - também influenciados por este efeito de calendário - revelam uma tvh de -3,5% (-13,8% no mês anterior e -10,3% no valor acuimulado dê Fev a Abr) e as novas encomendas do mercado externo registam uma tvh de -4,1% (-12,5% no^mês anterior e -9,2% no valor acumulado de Fev a Abr).
sexta-feira, 7 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Produção industrial e vendas a retalho - abril de 2013
Os dados relativos à produção industrial no mês de abril indicam uma subida face ao mês homólogo de 1,8% (-1,3% no mês anterior) a qual está associada em grande parte do forte crescimento da produção de energia (tvh de +24,7%), sendo, todavia, de assinalar a melhoria significativa da produção da indústria transformadora onde se registou uma tvh de +0,1% (-4,9% em março).
No comércio a retalho as vendas (valores nominais corrigidos da sazonalidade) registaram uma t.v.h. de -2,5% (-5,5% no mês anterior) a qual, no entanto, resulta da variação positiva das vendas de bens alimentares, tabaco e bebidas (tvh de 4,9% em abril contra uma tvh de -1,1% no mês anterior), enquanto que as vendas de bens não alimentares continuaram a registar um forte contração (-10,8% contra -10,4%).
No comércio a retalho as vendas (valores nominais corrigidos da sazonalidade) registaram uma t.v.h. de -2,5% (-5,5% no mês anterior) a qual, no entanto, resulta da variação positiva das vendas de bens alimentares, tabaco e bebidas (tvh de 4,9% em abril contra uma tvh de -1,1% no mês anterior), enquanto que as vendas de bens não alimentares continuaram a registar um forte contração (-10,8% contra -10,4%).
Indicadores de confiança - maio de 2013
Os indicadores de confiança divulgados esta semana pelo INE revelam uma descida da confiança dos consumidores, com o respetivo indicador a situar-se nos -55,2 pontos (-0,9 pontos do que em abril), a qual é influenciada sobretudo pelas deterioração das perspetivas para os próximos meses.
Na indústria de transformadora o indicador de confiança melhorou 2,8 pontos (para -14,9 pontos), o no setor do comércio a retalho o indicador de confiança aumentou 2,5 pontos (para -13,8 pontos, valor que corresponde ao melhor resultado desde março de 2011), e nos serviços aumentou 2,4 (para -26,5 pontos).
Finalmente, no setor da construção a confiança manteve-se nos -63,3 pontos.
Na indústria de transformadora o indicador de confiança melhorou 2,8 pontos (para -14,9 pontos), o no setor do comércio a retalho o indicador de confiança aumentou 2,5 pontos (para -13,8 pontos, valor que corresponde ao melhor resultado desde março de 2011), e nos serviços aumentou 2,4 (para -26,5 pontos).
Finalmente, no setor da construção a confiança manteve-se nos -63,3 pontos.
domingo, 26 de maio de 2013
Ler os outros: Keynesianismo na zona euro - Rogoff e Krugman
A propósito deste texto de Kenneth Rogoff sobre os efeitos de uma política expansionista orçamental no contexto da zona euro no qual argumenta que uma política orçamental alemã expansionista não constitui uma solução simples para os problemas da zona euro, defendendo como alternativas: i) uma reestruturação das dívidas, ii) um período prolongado de inflação moderada e iii) a assunção pela Alemanha de uma parte dois custos - diretamente ou através de um sistema de garantias, Krugman reage num texto no qual defende que embora "Everyone with a bit of sense has argued all along that Europe has a big problem resulting from the single currency: there was a sharp rise in relative costs and prices in the periphery during the boom years, and the process of correcting that overvaluation through “internal devaluation” is extremely difficult and painful", os argumentos keynesianos são que, por um lado, "this inherently difficult situation is made worse by two aspects of fiscal policy. One is the extreme austerity being imposed on the periphery; nobody is suggesting stimulus for, say, Portugal, but the question is whether a less extreme austerity regime might not do almost as well at limiting debt while internal devaluation takes place, while hugely reducing the human cost" e, por outro lado que "on any kind of rational pan-European basis, we should be seeing austerity in the periphery at least partly offset by stimulus in the core. What we have instead is substantial austerity in the core too.(...) Surely the terrible adjustment problem facing the periphery would be at least somewhat easier if the core weren’t doing this; looser fiscal policy would directly help their exports, and it would also help promote, yes, somewhat higher German inflation, helping achieve internal devaluation. (...)".
sábado, 25 de maio de 2013
Ler os outros: E que tal ter um só discurso? - Ricardo Costa
"(...) Em 2013 chegámos ao ponto de ninguém receber o mesmo vencimento dois meses seguidos. Com exceção de alguns futebolistas - que conseguem negociar salários «limpos» - não há um português que trabalhe, seja pensionista ou tenha algum subsídio que saiba quanto vai receber no mês seguinte.
Esta incerteza é o contrário do que se espera do Estado, sobretudo em momentos de incerteza. E o problema é que está a alastrar. Ontem, (...) o primeiro-ministro garantiu que não há qualquer folga nas medidas para reformar o estado. Acontece que há 15 dias o mesmo primeiro-ministro anunciou as medidas dizendo expressamente que estas tinham uma folga.
Também ontem, Passos Coelho disse que não está a ser pensado nenhum corte de 10 por cento nas pensões. Acontece que foi exatamente isso que anunciou o secretário de Estado Hélder Rosalino na SIC Notícias. E acontece que as contas do Governo, divulgadas publicamente, contam exatamente com um corte dessa dimensão! (...)"
(crónica publicada hoje no Expresso)
Esta incerteza é o contrário do que se espera do Estado, sobretudo em momentos de incerteza. E o problema é que está a alastrar. Ontem, (...) o primeiro-ministro garantiu que não há qualquer folga nas medidas para reformar o estado. Acontece que há 15 dias o mesmo primeiro-ministro anunciou as medidas dizendo expressamente que estas tinham uma folga.
Também ontem, Passos Coelho disse que não está a ser pensado nenhum corte de 10 por cento nas pensões. Acontece que foi exatamente isso que anunciou o secretário de Estado Hélder Rosalino na SIC Notícias. E acontece que as contas do Governo, divulgadas publicamente, contam exatamente com um corte dessa dimensão! (...)"
(crónica publicada hoje no Expresso)
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Acerca do processo contra Miguel Sousa Tavares
Independentemente do caráter excessivo da expressão utilizada - como aliás o próprio já veio admitir publicamente - é óbvio que a sua afirmação sobre o Presidente da República constitui uma crítica à atuação política do Presidente da República que se insere no exercício de liberdade de expressão.
Nestes termos, a decisão da procuradoria geral de instaurar um processo pelo crime de ofensa à honra do Presidente da República previsto no artigo 248.º do Código Penal por este ter dito que “o pior que nos pode acontecer é um Beppe Grillo, um Sidónio Pais. Mas não por via militar. Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva. Muito pior do que isso, é difícil” é manifestamente desadequada e desproporcionada.
E o Presidente da República deveria exercer imediatamente a prerrogativa que lhe assite nos termos do n.º 3 daquele artigo fazendo cessar um procedimento criminal relativamente a opiniões de caráter político, que não faz qualquer sentido numa sociedade livre e democrática.
Nestes termos, a decisão da procuradoria geral de instaurar um processo pelo crime de ofensa à honra do Presidente da República previsto no artigo 248.º do Código Penal por este ter dito que “o pior que nos pode acontecer é um Beppe Grillo, um Sidónio Pais. Mas não por via militar. Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva. Muito pior do que isso, é difícil” é manifestamente desadequada e desproporcionada.
E o Presidente da República deveria exercer imediatamente a prerrogativa que lhe assite nos termos do n.º 3 daquele artigo fazendo cessar um procedimento criminal relativamente a opiniões de caráter político, que não faz qualquer sentido numa sociedade livre e democrática.
Sobre o chumbo do PEC IV e a inevitabilidade do Plano de Assistência Financeira
As últimas semanas trouxeram, novamente, para a agenda mediática a discussão sobre se a aprovação do PEC IV.
Pessoalmente, partilho completamente a certeza expressa pelo Dr Pires de Lima hoje publicada no Público de que "mesmo com a aprovação do PEC IV, Portugal acabaria por recorrer à assitência da troika. As circunstâncias a que nos expuseramos (dívida do Estado com o perímetro de consolidação completo de 108%, taxas de juro da ordem dos 8%, o papel não ativo do BCE de então) e o nosso peso político diminuto (certamente não comparável ao da Espanha e Itála mas antes próximo do da Grécia e Irlanda), apontava, claramente para esse infeliz desígnio", argumentos aos quais me permito acrescentar, ainda, a situação de forte desequilíbrio das contas externas que, então,se verificava, as evidentes dificuldades de financiamento do sistema bancário e das empresas e, finalmente, o débil crescimento económico na década anterior.
Mas, talvez, mais importante, o facto é que mesmo que concedendo, por mera hipótese, que teria sido possível evitar um programa, formal, de assistência financeira, a verdade é que, como a evolução económica e das contas públicas posterior comprovou, tal não significaria que tivesse sido possível evitar a aplicação de medidas de austeridade adicionais às que se envontravam previstas no PEC IV. Com efeito, constitui hoje um facto insofismável que seria impossível atingir as metas previstas no PEC IV sem medidas adicionais, as quais certamente não deixariam de ser exigídas pelos "mercados" e pelos nossos parceiros europeus.
E para além de ser duvidoso que o governo de então possuisse condições políticas e sociais para definir e conduzir uma estratégia de consolidação bem sucedida, a verdade é que no quadro existente, mesmo com uma atitude benevolente do BCE, as condições a que Portugal conseguiria obter financiamento nos mercados seriam mais gravosas do que as obtidas no programa de assistência - e que aliás têm vindo a ser sucessivamente favoravelmente revistas - e é dificil vislumbrar de que forma é que teria sido possível assegurar o financimento do sistema bancário.
Pelo que, nesse quadro hipotético, teríamos uma situação de ainda maior elevada incerteza política e de acesso ao financiamento em que teriam de ser tomadas medidas de austeridade de idêntica dureza num quadro político e financeiro que seria provavelmente ainda mais desfavorável.
A realização de eleições antecipadas e o programa de assistência financeira embora se tenha traduzido numa redução da flexibilidade das políticas nacionais (por força da condicionalidade do memorando), permitiu, por outro lado, obter uma estabilidade política e assegurar o financiamento em termos razoáveis, criando, assim, um espaço para realizar o processo de ajustamento. Se este espaço foi devidamente aproveitado constitui uma outra questão, mas a verdade é que não apenas não é correcto concluir apenas com base na dificil situação atual que um cenário alternativo em que se tivesse verificado a aprovação do PEC 4 conduzisse a uma situação mais confortável. O mais certo é que nesse cenário a evolução político-social, económica e financeira tivesse sido na melhor das hipóteses idêntica ou, muito provavelmente, ainda mais problemática.
Parafraseando alguém, "quem pensa que as coisas não poderiam ser ainda piores, padece de falta de imaginação".
Pessoalmente, partilho completamente a certeza expressa pelo Dr Pires de Lima hoje publicada no Público de que "mesmo com a aprovação do PEC IV, Portugal acabaria por recorrer à assitência da troika. As circunstâncias a que nos expuseramos (dívida do Estado com o perímetro de consolidação completo de 108%, taxas de juro da ordem dos 8%, o papel não ativo do BCE de então) e o nosso peso político diminuto (certamente não comparável ao da Espanha e Itála mas antes próximo do da Grécia e Irlanda), apontava, claramente para esse infeliz desígnio", argumentos aos quais me permito acrescentar, ainda, a situação de forte desequilíbrio das contas externas que, então,se verificava, as evidentes dificuldades de financiamento do sistema bancário e das empresas e, finalmente, o débil crescimento económico na década anterior.
Mas, talvez, mais importante, o facto é que mesmo que concedendo, por mera hipótese, que teria sido possível evitar um programa, formal, de assistência financeira, a verdade é que, como a evolução económica e das contas públicas posterior comprovou, tal não significaria que tivesse sido possível evitar a aplicação de medidas de austeridade adicionais às que se envontravam previstas no PEC IV. Com efeito, constitui hoje um facto insofismável que seria impossível atingir as metas previstas no PEC IV sem medidas adicionais, as quais certamente não deixariam de ser exigídas pelos "mercados" e pelos nossos parceiros europeus.
E para além de ser duvidoso que o governo de então possuisse condições políticas e sociais para definir e conduzir uma estratégia de consolidação bem sucedida, a verdade é que no quadro existente, mesmo com uma atitude benevolente do BCE, as condições a que Portugal conseguiria obter financiamento nos mercados seriam mais gravosas do que as obtidas no programa de assistência - e que aliás têm vindo a ser sucessivamente favoravelmente revistas - e é dificil vislumbrar de que forma é que teria sido possível assegurar o financimento do sistema bancário.
Pelo que, nesse quadro hipotético, teríamos uma situação de ainda maior elevada incerteza política e de acesso ao financiamento em que teriam de ser tomadas medidas de austeridade de idêntica dureza num quadro político e financeiro que seria provavelmente ainda mais desfavorável.
A realização de eleições antecipadas e o programa de assistência financeira embora se tenha traduzido numa redução da flexibilidade das políticas nacionais (por força da condicionalidade do memorando), permitiu, por outro lado, obter uma estabilidade política e assegurar o financiamento em termos razoáveis, criando, assim, um espaço para realizar o processo de ajustamento. Se este espaço foi devidamente aproveitado constitui uma outra questão, mas a verdade é que não apenas não é correcto concluir apenas com base na dificil situação atual que um cenário alternativo em que se tivesse verificado a aprovação do PEC 4 conduzisse a uma situação mais confortável. O mais certo é que nesse cenário a evolução político-social, económica e financeira tivesse sido na melhor das hipóteses idêntica ou, muito provavelmente, ainda mais problemática.
Parafraseando alguém, "quem pensa que as coisas não poderiam ser ainda piores, padece de falta de imaginação".
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