quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ler os Outros: Vitor Bento

Na crónica publicada hoje no Diário Económico, Vitor Bento chama a atenção para a existência de "uma curiosa dissonância na percepção" interna e externa sobre o grau de sucesso do programa de ajustamento porque passa a economia portuguesa.

Uma diferença de percepções a que "não será certamente alheio o diferenciado esforço de comunicação por parte do Governo, muito mais dirigido - em tempo e recursos - à frente externa, e principalmente aos «mercados» e instâncias supranacionais, do que à frente interna", mas que na sua opinião também resulta do que identifica como factores de idiossincrasia cultural e "em particular da atávica tendência de procurar «fora de nós» a origem e solução para as agruras que «'nos caem do céu»" geradora de fenómenos de "escapismo" de que a "actual mantra da «renegociação dos juros»" seria emanação".

Independentemente da avaliação do grau de sucesso de um processo de ajustamento em que, apesar de progressos significativos em algumas dimensões, para além de um aumento do desemprego muito superior ao esperado houve já necessidade de rever de forma significativa as metas, eventualmente demasiado exigentes, para a evolução do défice e dívida pública, parece-me que não é possível separar as duas vertentes acima enunciadas e considero que o claro crescimento dessa tendência escapista não pode ser dissociado da incapacidade do Governo, e dos partidos que o apoiam, em apresentar e explicar aos portugueses, com clareza e sem rodear as dificuldades e desafios, a situação em que Portugal se encontra e a estratégia para recuperar a sustentabilidade económica e financeira.

Seja como for, como refere o autor, a verdade é que  "esta dissonância dificilmente se poderá manter por muito tempo, não sendo claro qual das duas formas acabará por absorver outra".

Por isso, espero que o Governo tenha a visão e capacidade para seguir a recomendação de dar "mais atenção à frente interna" e que ainda vá a tempo de "recuperar o país", sob pena de comprometer irremediavelmente a frente externa.

2 comentários:

Pedro Magalhães disse...

João, o link para o DE está errado. Cumps, Pedro Magalhães.

João Pedro Santos disse...

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