domingo, 3 de julho de 2011

O (Mau) Comportamento dos Mercados - Mandelbrot e Hudson



Neste livro Mandelbrot faz uma crítica extremamente interessante às teorias financeiras ortodoxas - baseadas na distribuição normal dos erros e na não correlação dos resultados -, demonstrando de forma bastante convincente os seus defeitos e limitações para descrever o comportamento "real" dos mercados, e que não só assentam em hipóteses irrealistas como os seus resultados não são confirmados pela realidade. Mandelbrot revela-nos um mundo em que os mercados são muito mais turbulentos do que essas teorias supõem, mas mais importante que essa turbulência se tende a concentrar em determinados momentos.

Uma das lições do livro é que contrariamente ao que nos diz a teoria tradicional o timing de entrada ou saída no mercado são importantes ou mesmo decisivos para o sucesso (ou insucesso) de uma estratégia financeira é importante, pois os grandes ganhos e as perdas concentram-se em pequenos períodos de tempo, que os preços de mercado não são contínuos mas antes podem dar grandes "saltos" e que os mercados são intrinsecamente incertos e enganadores, as bolhas inevitáveis e a própria noção de "valor" tem um valor limitado.

Um mercado que Madelbrot tem tentado com algum sucesso modelizar através de uma matemática muito mais complicada do que a tradicionalmente utilizada, em boa parte desenvolvida por si próprio, mas que como ele reconhece ao longo do livro sendo útil para descrever os mercados é de utlidade duvidosa, ou pelo menos limitada, para nelas basearmos estratégias de investimento que procurem "bater" o mercado.

Para Mandelbrot os riscos do mercado são muito mais arriscados do que o que tradicionalmente assumimos e, à semelhança do que ocorre com os terramotos, é impossível evitar completamente as "grandes crises". O máximo que podemos aspirar é criar mecanismos que reduzam a sua frequência e desenhar planos e instituições que permitam conter os respectivos danos.

1 comentário:

João Saldanha disse...

Caro João,

Um dos principais erros de toda a economia (e finanças) é a ideia de orgodicidade.

cumprimentos,
Joao Galamba